O dia 24 de março foi marcado por avanços importantes na gestão dos recursos hídricos da região. O Comitê de Gerenciamento Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão, do Complexo Lagunar e bacias contíguas participou de discussões sobre ações preventivas para o enfrentamento à eventos climáticos extremos no XVII Seminário da Enchente de 52 anos do Rio Tubarão, e de anúncio de investimentos do Governo do Estado em estudos técnicos na bacia.
Com a temática central “Memória, Prevenção e Reação eficiente”, o Seminário da enchente de 1974 do Rio Tubarão foi realizado no Auditório da Associação de Municípios da Região de Laguna (AMUREL), e contou com ampla programação. O Seminário contou com a participação de autoridades, especialistas, organizações não-governamentais e a população. O destaque do evento ficou com a consistência do debate técnico e o relato de pessoas que vivenciaram a tragédia de 1974 e suas consequências.
O presidente do Comitê e Secretário Municipal da Proteção e Defesa Civil, Rafael Marques, ministrou a palestra Históricos da Enchente e Avisos do Rio Tubarão. Sobre o evento, Rafael Marques afirmou que: “Esta foi mais uma importante edição do Seminário. É necessário relembrar a enchente de março de 1974 para que não seja esquecido e permaneça na memória de toda a população. Quando esquecemos, passamos a cometer equívocos que já foram cometidos no passado”.
O presidente do colegiado destacou em sua palestra a importância do aumento do monitoramento das estações hidrometeorológicas para antecipação e planejamento frente a eventos hídricos extremos, ressaltando a instalação da rede através de investimentos da Agência Reguladora de Saneamento, Iluminação Pública e Mobilidade de Tubarão (AGR) e Prefeitura Municipal de Tubarão nos municípios de Tubarão, São Martinho, Braço do Norte e Orleans em 2024. E estações também montadas pela Secretaria Estadual de Proteção e Defesa Civil com estações no bairro da Guarda em Tubarão, Armazém, Lauro Muller, São Ludgero e Anitápolis.
No evento, Rafael Marques citou, ainda, o Plano Municipal de Riscos, do Programa Nacional Periferia Sem Riscos, do Ministério das Cidades, no qual o município de Tubarão foi contemplado. A iniciativa integra mapeamento técnico, obras de contenção e soluções baseadas na natureza (SBN), promovendo a regularização fundiária e a adaptação climática. As ações iniciaram-se em 2025 e estão em fase inicial.
Também foi tema da palestra as obras estruturantes de contenção e macrodrenagem que estão em andamento ou com prazo estabelecido no município de Tubarão. As obras visam minimizar eventuais efeitos devido às chuvas intensas e que podem provocar alagamentos e cheias. Já no Rio da Madre, o presidente do Comitê citou o início do processo licitatório para limpeza da cobertura vegetal aquática no Rio Tubarão/Madre com o intuito de contribuir com o aumento do escoamento e a reoxigenação da água.
No mesmo dia, o presidente do Comitê participou em Tubarão de evento do Governo do Estado que anunciou investimentos em Proteção e Defesa Civil para a região. Por meio de pregão e concorrência eletrônica, duas licitações estão abertas para contratação de empresas especializadas que irão elaborar estudo geotécnico, incluindo sondagens e ensaios, com o objetivo de diagnosticar a avaliar a estabilidade das margens e os processos de erosão fluvial ao longo do Rio Tubarão, com o término dos lances em 19 de março. Outra que ainda está recebendo propostas até o dia primeiro de abril para estudo de análise de suscetibilidade e exposição à inundações e análise de alternativas para mitigação de impactos por meio de modelagens hidrológicas e hidrodinâmicas.
No Seminário, o engenheiro civil Dr. Fernando Dornelles, pesquisador do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, realizou palestra com a temática “Construção, falha e recuperação do sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre”. A partir das semelhanças entre Porto Alegre e os municípios que compõem a bacia do Rio Tubarão e o Complexo Lagunar, o pesquisador trouxe contribuições importantes para o enfrentamento de eventos climáticos que estão cada mais frequentes.
Com o intuito de trazer atualizações sobre os levantamentos de dados na região do Porto de Laguna, o Gerente de Portos da Secretaria de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF), Alex Bunese Juk, conduziu outra das palestras do Seminário. De acordo com o gestor da SPAF, a intervenção estratégia conta com duas frentes de atuação na região, uma para a mitigação de cheias com a remodelagem geométrica dos molhes e desobstrução do canal de navegação de acesso ao porto de Laguna (lote A), com o objetivo de aumentar o escoamento e a fluidez hidrodinâmica e outra com projetos executivo de dragagem e derrocagem da área do porto até o mar (lote B) para garantir a navegação segura e atracação de embarcações de maior porte.
Juk apresentou a atualização da fase inicial da coleta de dados de batimetria, sonografia e sísmica. O levantamento batimétrico do lote A teve início em outubro de 2025 e foi finalizado em janeiro de 2026, com o mapeamento completo do relevo submarino da região. Em relação ao lote B, a ordem de serviço já foi emitida, e a etapa de elaboração do projeto executivo de remoção dos sedimentos do canal de acesso está em andamento pelas equipes contratadas.
O evento também contou com a participação de representantes do grupo Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina, grupo que atua em áreas como economia popular solidária, gestão de riscos e apoio a catadores, com forte atuação em rede para atender populações em vulnerabilidade social e de associação de pescadores da região de Jaguaruna.


