Dos 10 municípios que compõem a Bacia Hidrográfica do Rio Urussanga, nove estão entre aqueles considerados mais suscetíveis à ocorrência de deslizamentos, enxurradas e inundações no estado. Essas informações estão disponibilizadas no Painel Prevenção a Desastres Naturais do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC), que reúne dados de bases federais sobre os municípios catarinenses identificados como mais suscetíveis a esses eventos.
De acordo com os dados disponibilizados pelo TCE/SC, 90% dos municípios da Bacia Hidrográfica do Rio Urussanga possuem áreas de maior risco de deslizamentos, enxurradas e inundações. Segundo o levantamento, somente o município de Treze de Maio não está entre as áreas mais suscetíveis a ocorrências desses eventos. A Bacia é composta pelos municípios de Cocal do Sul, Morro da Fumaça, Içara, Urussanga, Balneário Rincão, Criciúma, Pedras Grandes, Treze de Maio, Sangão e Jaguaruna e reúne uma população de cerca de 412 mil habitantes.
O percentual de 90% dos municípios mais suscetíveis a desastres é superior ao registrado em Santa Catarina como um todo. No estado, 70,2% dos municípios (207 dos 295) estão neste grupo. Em comparação com o cenário estadual, a Bacia do Rio Urussanga apresenta uma concentração importante de municípios que requerem ações permanentes de planejamento e prevenção.
O Painel de dados do TCE/SC também apresenta informações sobre o nível de preparação dos municípios catarinenses para o enfrentamento de eventos climáticos. Os dados foram coletados por meio de questionários aplicados aos gestores municipais. De acordo com o TCE/SC, todos os municípios da Bacia possuem o Plano Municipal de Contingência (PLAMCON). Este é um documento que deve orientar as ações de resposta
diante de situações de emergência e desastres naturais.
A prevenção de desastres na Bacia Hidrográfica ainda é um desafio. Segundo o Painel de dados, somente Criciúma possui o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), um instrumento que busca identificar áreas vulneráveis a desastres naturais e orientar a execução preventiva de ações para reduzir possíveis impactos de eventos climáticos. Em Santa Catarina, apenas 12% dos municípios elaboraram esse instrumento de planejamento.
A presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Urussanga, Lara Possamai, destaca a importância da preservação dos cursos d’água na prevenção de desastres. “A prevenção de desastres passa pela gestão adequada das águas e pela proteção dos cursos d’água. A manutenção das Áreas de Preservação Permanente e da vegetação nas margens dos rios é imprescindível, pois contribui para a estabilidade das margens, reduz processos erosivos e ajuda a diminuir o carreamento de sedimentos.
Para a presidente do colegiado, os municípios e a Defesa Civil possuem papel central na prevenção de eventos extremos. “Os municípios e a Defesa Civil tem papel fundamental na prevenção e na resposta aos eventos extremos. As intervenções, como o desassoreamento, precisam ser baseadas em estudos técnicos, considerar o funcionamento de toda a bacia hidrográfica e ser executadas com os devidos cuidados e autorizações ambientais, para que não acabem transferindo o problema ou causando novos impactos".
Nota: Matéria elaborada em 21/07/2026 e publicada após o período do defeso eleitoral
Escrita pela Assessoria de Comunicação dos Comitês de Bacia da Vertente Litoral de SC
Priscila Oliveira


