Qualidade da água, os desafios da gestão participativa e o papel do Comitê de Gerenciamento da Bacia do Rio Urussanga na mediação de conflitos foram temas discutidos em entrevista concedida por representantes de instituições-membro do colegiado à Rádio Marconi (99,9 FM), no dia 23 de março.
Participaram do programa radiofônico Ponto de Encontro a presidente do Comitê Lara Possamai Wessler e o vice-presidente, Fernando Damian Preve Filho. Além dos representantes Carla Cristina Possamai Della (SAMAE), Yasmine de Moura da Cunha (UNESC), Stéphano Diniz Rinoldi (ICMBio/Apa da Baleia Franca).
Durante a entrevista os representantes puderam destacar o papel do Comitê de Bacia e a importância e os desafios da gestão participativa dos recursos hídricos. “O comitê é um espaço de debate e construção coletiva. Atua de forma consultiva e deliberativa, sem executar ações diretamente, mas com o objetivo de promover uma gestão dos recursos hídricos participativa. Reúne diferentes segmentos da sociedade e também exerce um papel importante na mediação de conflitos, quando necessário”, afirmou a presidente do órgão colegiado, Lara Possamai Wessler.
O vice-presidente, Fernando Damian Preve Filho, pontuou que a participação ativa da sociedade é necessária para fortalecer o Comitê. “Tudo é um processo de construção. O grande desafio é envolver as pessoas, fazer com que participem. O comitê tem esse papel de provocar, de incentivar a participação e o diálogo. Quando governo, usuários e sociedade civil conseguem conversar, as coisas avançam de forma mais equilibrada”.
Ainda sobre o papel do Comitê, Carla Cristina Possamai Della (SAMAE) ressaltou a importância de tirar do papel os instrumentos já existentes e ampliar a atuação para além de demandas pontuais. “O plano da bacia foi finalizado há alguns anos, com diagnósticos e diretrizes importantes, mas ele ainda não foi plenamente aplicado. Muitas vezes, o poder público procura o comitê apenas para resolver problemas pontuais, como alagamentos ou obras específicas”.
Os entrevistados destacaram os impactos da agricultura, da mineração e da urbanização sobre os recursos hídricos. Nesse contexto, Stéfano Diniz Rinoldi (ICMBio) chamou atenção para a necessidade de conciliar desenvolvimento e preservação ambiental. “Também é importante esclarecer que meio ambiente e atividades produtivas não são opostos. O objetivo é compatibilizar: produzir, sim, mas com menor impacto possível e com planejamento". Yasmine de Moura da Cunha (UNESC) destacou a importância de compreender a bacia de forma integrada. “Quando falamos de bacia hidrográfica, não estamos falando apenas da água, mas também de sedimentos, contaminantes e tudo que é carregado até os rios. Por isso, é fundamental cuidar do solo e de todo o território”.
A participação do Comitê Urussanga no programa de rádio Ponto de Encontro (Rádio Marconi) integra as ações do Dia Mundial da Água (22 de março).


