A Rádio Educadora Uniguaçu recebeu, nos estúdios, dia 30 de abril, a engenheira geóloga Jamile Iara Sekula, presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Timbó e Bacias Contíguas, para falar sobre a gestão da água na região, os riscos de enchentes e deslizamentos e os impactos das mudanças climáticas.
Segundo Jamile, o Comitê Timbó atua como um espaço de gestão participativa dos recursos hídricos, reunindo poder público, usuários da água e sociedade civil. O objetivo é administrar, de forma regionalizada, as Bacias do Rio Timbó e Contíguas, que engloba 11 municípios, considerando desde a captação de água superficial, o uso de poços tubulares, até o lançamento de efluentes e a qualidade da água que chega às cidades.
A presidente explicou que toda a chuva que cai nessa área acaba, direta ou indiretamente, chegando ao Rio Timbó, seja pelo escoamento superficial, pela infiltração no solo ou pelo lençol freático. Por isso, mesmo quando para de chover em Porto União, o nível do rio pode continuar subindo por vários dias, devido às chuvas nas regiões mais altas da bacia.
Com a possibilidade de fortalecimento do fenômeno El Niño, cresce a preocupação com o aumento das chuvas no Sul do país. Jamile alerta que a maior precipitação eleva o risco de enchentes, principalmente porque o solo já se encontra saturado e impermeabilizado em grande parte das áreas urbanas. A falta de sistemas eficientes de drenagem dificultam o escoamento da água.
Outro fator destacado é a localização de Porto União sobre a planície de inundação do Rio Iguaçu, uma área naturalmente sujeita a transbordamentos. Historicamente, o desenvolvimento urbano ocorreu às margens do rio, o que aumenta a vulnerabilidade a cheias em períodos de chuva intensa.
Em relação aos deslizamentos, embora a região não seja considerada altamente suscetível, a engenheira ressalta que eles podem ocorrer, especialmente em morros ocupados e com falta de drenagemadequada. Sinais de alerta incluem trincas no solo, rachaduras em paredes e grande volume de água escoando sem controle pelas encostas. A vegetação desempenha papel fundamental na estabilidade do solo, e a retirada da mata nativa, pode aumentar o risco de escorregamentos.
Jamile destacou ainda que é difícil estabelecer um volume exato de chuva que determine automaticamente uma enchente. O risco aumenta tanto em eventos de chuva muito intensa em curto período quanto em chuvas persistentes ao longo de vários dias, que saturam o solo e impedem a infiltração da água.
Sobre prevenção, ela afirma que é possível realizar mapeamentos detalhados das áreas de risco, identificando cotas de inundação e regiões mais suscetíveis a deslizamentos. Esses estudos permitem prever até quais ruas ou residências podem ser atingidas conforme o volume de chuva, auxiliando a Defesa Civil e o planejamento urbano.
O Comitê de Gerenciamento da Bacia não atua diretamente na gestão de crises, mas trabalha na gestão do uso da água, na qualidade dos recursos hídricos e no apoio técnico aos municípios, tanto em períodos de seca quanto de excesso de chuvas. A presidente reforçou a importância da educação ambiental, da preservação das Áreas de Preservação Permanente (APPs), do descarte correto de resíduos e da cobrança por políticas públicas eficientes de drenagem urbana.
Ao final, Jamile orientou a população a acompanhar as previsões meteorológicas em canais oficiais e a manter atenção aos alertas da Defesa Civil. O Comitê Timbó segue à disposição da comunidade para esclarecer dúvidas e receber sugestões por meio de suas redes sociais.
A entrevista na íntegra, assim como, matéria publicada no site Portal da Cidade, podem ser acessados em: Geóloga explica como a bacia do Rio Timbó influencia o comportamento do Rio Iguaçu


