Comitê de Gerenciamento Bacia Hidrográfica do 

Rio do Peixe e Bacias Contíguas

Prognóstico aponta caminhos para o futuro da água na Bacia do Rio do Peixe e avança elaboração do Plano de Recursos Hídricos Destaque

Comitê Rio do Peixe

A construção do Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe e Bacias Contíguas avançou mais uma etapa importante no dia 10 de setembro, durante reunião virtual entre representantes do Grupo de Acompanhamento do Plano (GAP), da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde (SEMAE) e da empresa Profill Engenharia e Ambiente, responsável pela elaboração dos estudos técnicos.

O encontro teve como principal objetivo apresentar os resultados do Prognóstico dos Recursos Hídricos, etapa estratégica do processo de planejamento que projeta diferentes cenários para o futuro da bacia e subsidia a definição de ações necessárias para garantir a disponibilidade e a qualidade da água nas próximas décadas.

A discussão assume especial relevância para a região, já que a Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe é a última de Santa Catarina a contar com a elaboração de seu Plano de Recursos Hídricos. Dessa forma, os estudos em andamento representam um marco para o fortalecimento da gestão das águas no território e para a construção de diretrizes que orientarão o desenvolvimento da bacia hidrográfica nos próximos anos.

A reunião contou com a participação representantes do GAP, da SEMAE e de técnicos da Profill Engenharia e Ambiente. Além da apresentação dos resultados, o encontro também permitiu que os participantes esclarecessem dúvidas e discutissem aspectos técnicos do prognóstico antes da emissão do parecer do Grupo de Acompanhamento sobre o produto elaborado.

Entre os temas abordados esteve a concepção dos cenários utilizados nos estudos. A metodologia adotada busca compreender diferentes possibilidades para o futuro dos recursos hídricos da bacia, considerando fatores como crescimento populacional, aumento das demandas por água, mudanças climáticas e evolução da qualidade dos corpos hídricos.

Para isso, foram avaliados cenários de crescimento tendencial e acelerado da demanda hídrica, além de projeções relacionadas à qualidade da água. O objetivo é antecipar desafios, identificar áreas de maior vulnerabilidade e fornecer informações que auxiliem na tomada de decisões voltadas à gestão dos recursos hídricos.

Os resultados quantitativos apresentados indicam que, de maneira geral, a bacia possui uma situação confortável em relação à disponibilidade de água nos rios. No entanto, os estudos apontam áreas que demandam atenção especial, principalmente em pequenos cursos d'água, regiões de cabeceira e locais com maior concentração de usos da água.

Entre os pontos considerados mais sensíveis estão trechos localizados na região entre as Unidades de Planejamento e Gestão (UPGs) 3 e 4, áreas de cabeceira da UPG 1 e porções localizadas no oeste da UPG 2. Nesses locais, a pressão sobre os recursos hídricos tende a ser maior, exigindo estratégias específicas de monitoramento e gestão.

No campo da qualidade da água, os resultados também são considerados positivos. O prognóstico aponta que mais de 90% dos trechos avaliados da bacia estão enquadrados nas classes 1 e 2, consideradas adequadas para diversos usos e indicativas de boas condições ambientais.

Os principais desafios identificados concentram-se nas proximidades dos centros urbanos, especialmente em trechos influenciados pelo lançamento de esgotos domésticos. Ainda assim, os estudos indicam que, no cenário tendencial, não há previsão de agravamento significativo da qualidade da água. Pelo contrário, a ampliação dos sistemas de coleta e tratamento de esgoto poderá contribuir para a melhoria das condições dos rios ao longo dos próximos anos.

Um dos momentos mais importantes da reunião foi a apresentação do chamado cenário desejado para a bacia, construído a partir das informações levantadas durante todo o processo de elaboração do plano. Essa visão de futuro busca conciliar desenvolvimento econômico, conservação ambiental e segurança hídrica.

Entre os objetivos estabelecidos estão a proteção dos rios e das nascentes, o uso mais eficiente da água, a ampliação do saneamento básico e o fortalecimento das ações de gestão dos recursos hídricos. Para que esse cenário seja alcançado, haverá o Plano de Ações que orientará futuras iniciativas na bacia.

As medidas propostas incluem a identificação e gestão diferenciada das áreas críticas, ampliação do monitoramento dos rios, redução de perdas nos sistemas de abastecimento, incentivo ao reuso da água, controle das captações subterrâneas e melhorias nos sistemas de tratamento de esgoto.

Também estão previstas ações voltadas à preservação de nascentes e áreas de recarga hídrica, além do desenvolvimento de mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais como estratégia de incentivo à conservação ambiental. Outro tema considerado prioritário é a elaboração de planos de contingência para períodos de estiagem, fortalecendo a capacidade de resposta da região diante de eventos climáticos extremos.

Ao final da reunião, os integrantes do GAP puderam apresentar questionamentos e obter esclarecimentos sobre os resultados técnicos apresentados. O próximo passo será a realização de uma nova reunião do Grupo de Acompanhamento para finalizar o parecer sobre o prognóstico, etapa fundamental para o avanço da elaboração do Plano de Recursos Hídricos.

Para o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe e Bacias Contíguas, a conclusão desse processo representa um momento histórico para a gestão das águas na região. Mais do que um documento técnico, o Plano de Recursos Hídricos será um instrumento estratégico para orientar políticas, investimentos e ações voltadas à proteção das águas, contribuindo para garantir segurança hídrica, qualidade ambiental e desenvolvimento sustentável para os municípios da bacia nas próximas décadas, contribuindo também com os aspectos legais previstos na Política Nacional de Recursos (Lei Federal nº 9.433/97).

Nota: Matéria elaborada em 11/09/2026 e publicada após o período do defeso eleitoral

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