Mais de 70 participantes estiveram presentes na Oficina de Usos Pretensos da Água da Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe, realizada no dia 17 de junho de 2026, por videoconferência. O evento integrou as atividades de elaboração do Plano de Recursos Hídricos e do Enquadramento dos Corpos d’águaem classes de usos da bacia, reunindo representantes de organizações-membro do Comitê Peixe, usuários de água, representantes do poder público e integrantes da população da bacia.
A oficina teve como principal objetivo identificar os usos da água que a sociedade deseja manter, ampliar, proteger ou viabilizar nas próximas décadas, considerando o horizonte de planejamento até o ano de 2046. As contribuições obtidas subsidiarão a etapa de Prognóstico do Plano de Recursos Hídricos e a construção da proposta de enquadramento dos corpos d’águaem classes de usos da bacia.
A programação foi aberta com uma apresentação do especialista da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Daniel Izoton Santiago, que abordou os conceitos e fundamentos do enquadramento dos corpos d’água em classes de qualidade, destacando os aspectos legais, a metodologia adotada e a importância desse instrumento para a gestão dos recursos hídricos. O enquadramento estabelece metas de qualidade para rios e demais corpos d’água de acordo com os usos que a sociedade pretende para cada trecho, contribuindo para orientar ações de conservação, recuperação e gestão das águas.
Na sequência, o diretor da Profill Engenharia e Ambiente, Carlos Bortoli, apresentou informações técnicas e dados já levantados durante a elaboração do Plano de Recursos Hídricos da Bacia do Rio do Peixe. Foram compartilhados aspectos relacionados à disponibilidade hídrica, usos da água, características ambientais e socioeconômicas da região, além de elementos que servirão de base para as próximas etapas do planejamento.
O momento mais participativo da oficina foi conduzido pelos técnicos da Profill, Diego da Silva e TailanaJeske. A atividade prática utilizou mapas das Unidades de Planejamento e Gestão (UPGs) definidas para a bacia, contendo informações sobre os usos da água já cadastrados nas bases dos órgãos gestores de recursos hídricos. A partir do conhecimento dos participantes sobre seus territórios, foram identificados e registrados usos que ainda não constam nos levantamentos oficiais, contribuindo para construir um retrato mais fiel da realidade da bacia.
Para Edson Fernando Spier, vice-presidente do Comitê Peixe, a oficina permitiu realizar um diagnóstico mais apurado, com um olhar mais refinado sobre toda a bacia do Rio do Peixe, devido à diversidade de atores participando do evento. "Foi muito importante contar com a atuação dos atores envolvidos na bacia. Tivemos a participação e colaboração de entidades de classe, de profissionais da área, de empresas que são responsáveis pela coleta, pela captação, distribuição e também o tratamento de esgoto, e órgãos do governo."
Edson ainda destacou que o conhecimento local é fundamental para a real representação dos usos de água na Bacia. "Foi uma manhã muito produtiva, pois tivemos várias inserções de uso ao longo da bacia, que, possivelmente, alguns até desconheciam, e que vão servir de base para o enquadramento dos corpos d'água ao longo da bacia do Rio do Peixe, e também para a etapa de Prognóstico."
Além de validar informações existentes, os participantes puderam apontar demandas futuras relacionadas ao abastecimento público, irrigação, atividades produtivas, conservação ambiental, turismo, lazer, saneamento básico, geração de energia e outros usos da água considerados estratégicos para o desenvolvimento sustentável da região.
Agora, em posse das informações levantadas na oficina, os trabalhos avançam para a elaboração do Prognóstico dos Recursos Hídricos, com o intuito de prospectar as condições futuras de disponibilidade e demanda de água, e do Enquadramento dos Corpos d’Água em Classes de Usos, a fim de definir as metas de qualidade da água a serem alcançadas ou mantidas, de acordo com os usos pretendidos pela sociedade.


