A construção de estratégias para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e dos eventos hidrológicos extremos esteve no centro das discussões do curso “Atuação dos Comitês de Bacias Hidrográficas frente aos Eventos Hidrológicos Extremos”, promovido pelo Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Timbó e Bacias Contíguas (Comitê Timbó), em parceria com o Comitê Canoinhas e Afluentes do Negro e o Programa SC Águas (ProfÁgua/UDESC).
Realizado de forma virtual no dia 15 de setembro, das 13h às 18h, o evento reuniu 115 participantes, entre membros de comitês de bacias hidrográficas, técnicos e gestores de recursos hídricos, profissionais da Defesa Civil, representantes de prefeituras, instituições de ensino e pesquisa, organizações da sociedade civil, integrantes do setor produtivo e demais interessados na gestão integrada dos recursos hídricos, prevenção de desastres e adaptação aos eventos extremos.
A iniciativa teve como objetivo capacitar e sensibilizar os participantes para compreender, planejar e fortalecer a atuação dos comitês de bacias hidrográficas frente aos desafios provocados por secas, estiagens, cheias e inundações, promovendo a integração entre a gestão das águas, a gestão de riscos e desastres e as estratégias de adaptação às mudanças climáticas.
A abertura do evento contou com a participação da presidente do Comitê Timbó, Jamile Sekula, que agradeceu a presença dos participantes e destacou a importância da ampla participação dos membros do Comitê Timbó e dos demais comitês de bacias hidrográficas presentes. Em sua manifestação, ressaltou a relevância do tema para a gestão dos recursos hídricos e lembrou que a realização da capacitação está alinhada ao Plano de Capacitação do Comitê Timbó, aprovado pelo colegiado como uma das ações prioritárias para o fortalecimento institucional e técnico de seus membros.
A programação iniciou com a palestra “Cenário Climático Atual e Tendências para Santa Catarina e o Sistema Integrado de Gestão de Desastres do Estado”, ministrada por Frederico de Moraes Rudorff, gerente de Monitoramento e Alerta da Diretoria de Gestão de Desastres da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil. A apresentação trouxe informações sobre os cenários climáticos observados e projetados para o Estado, além da estrutura utilizada para monitoramento, emissão de alertas e resposta a eventos críticos.
Na sequência, Mariane Hatsuno Murakami, diretora de Clima, Energia e Transição Energética da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde, apresentou a palestra “Mudanças Climáticas e Eventos Extremos: Estratégias da SEMAE para Adaptação e Mitigação”. A atividade abordou iniciativas voltadas à adaptação climática, redução de vulnerabilidades e fortalecimento da resiliência dos territórios frente aos impactos das mudanças climáticas.
Houve também a palestra “O Papel dos Comitês de Bacias na Gestão de Riscos Hidrológicos: como os Comitês podem se preparar para os próximos eventos extremos?”, ministrada por Camila Andréa Ramos, da UDESC e do Programa SC Águas. A apresentação destacou o papel estratégico dos comitês de bacias hidrográficas no planejamento preventivo, na articulação institucional e na integração dos instrumentos de gestão dos recursos hídricos às políticas de proteção e defesa civil.
A programação foi concluída com a oficina temática “O Plano de Recursos Hídricos frente aos Eventos Climáticos Extremos”, conduzida pelos assessores técnicos do Programa SC Águas, Fiama Letícia Reis Lima e Pedro Filipe Rey. A atividade permitiu aprofundar as discussões sobre como os Planos de Recursos Hídricos podem incorporar ações voltadas à prevenção, preparação, resposta e adaptação frente aos impactos de eventos hidrológicos extremos.
Entre os principais resultados do curso está o fortalecimento da capacidade técnica e institucional dos participantes para atuar diante de cenários cada vez mais complexos relacionados às mudanças climáticas. As atividades contribuíram para ampliar o conhecimento sobre os impactos dos eventos extremos nas bacias hidrográficas, os instrumentos disponíveis para a gestão dos recursos hídricos e as estratégias necessárias para aumentar a resiliência dos territórios.
Outro resultado importante foi a integração promovida entre comitês de bacias hidrográficas, Defesa Civil, órgãos gestores, municípios e demais entidades participantes. O intercâmbio de experiências permitiu identificar desafios comuns e compartilhar boas práticas relacionadas à gestão de riscos e à adaptação climática.
Durante os debates finais, os participantes também identificaram e priorizaram temas e ações que deverão ser aprofundados nos Planos de Recursos Hídricos das bacias hidrográficas. Entre os principais pontos destacados estiveram a necessidade de ampliar a utilização de dados climáticos e hidrológicos no planejamento, fortalecer a governança preventiva e promover maior articulação entre os diferentes setores envolvidos na gestão das águas e na redução dos riscos de desastres.
Ao promover o curso, o Comitê Timbó reafirma seu compromisso com a qualificação de seus membros, o fortalecimento da gestão participativa dos recursos hídricos e a construção de soluções capazes de aumentar a capacidade de adaptação das bacias hidrográficas frente aos desafios climáticos atuais e futuros.


