A preparação para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e pelos eventos hidrológicos extremos esteve no centro das discussões do curso “Atuação dos Comitês de Bacias Hidrográficas Frente aos Eventos Hidrológicos Extremos”, realizado de forma virtual no dia 15 de setembro. A capacitação reuniu mais de 115 participantes, entre representantes de comitês de bacias hidrográficas, órgãos públicos, especialistas e profissionais que atuam na gestão dos recursos hídricos e na redução dos riscos associados a eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.
Promovido pelo Comitê Canoinhas e Afluentes do Negro, pelo Comitê Timbó e pelo Programa SC Águas (ProfÁgua/UDESC), com apoio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde de Santa Catarina (SEMAE), o curso teve duração de quatro horas de atividades síncronas, realizadas por meio da plataforma Microsoft Teams, além de duas horas de atividades assíncronas voltadas ao aprofundamento dos conteúdos apresentados.
Representando o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio das Antas, Bacias Contíguas e Afluentes Catarinenses do Rio Peperi-guaçu, participou da capacitação a representante da COOPER A1, Larissa Botezini. Sua presença também simboliza a renovação constante dos espaços de governança das águas, reforçando a importância da participação de novos membros para o fortalecimento dos debates e da tomada de decisões nos colegiados.
A entrada de novos representantes nos comitês de bacias desempenha um papel fundamental para a manutenção de uma gestão participativa, democrática e alinhada aos desafios contemporâneos. O processo de renovação traz diferentes experiências, olhares e conhecimentos, contribuindo para o chamado processo de “oxigenação” dos comitês. Essa diversidade amplia a capacidade de análise dos problemas relacionados aos recursos hídricos e fortalece a construção de soluções coletivas mais eficientes para as bacias hidrográficas.
Nesta direção, iniciativas de capacitação como a promovida pelo Programa SC Águas são consideradas estratégicas para garantir que os representantes das organizações-membro estejam preparados para atuar diante de cenários cada vez mais complexos. Além de fornecer conhecimento técnico atualizado, os cursos contribuem para o desenvolvimento de uma visão crítica sobre a gestão dos recursos hídricos, permitindo que os participantes compreendam melhor os impactos das mudanças climáticas e o papel dos comitês na prevenção e mitigação de riscos.
A programação do evento abordou diferentes aspectos relacionados aos desafios climáticos enfrentados por Santa Catarina. A primeira palestra, intitulada “Cenário Climático Atual e Tendências para Santa Catarina e o Sistema Integrado de Gestão de Desastres do Estado”, foi ministrada por Frederico de Moraes Rudorff, gerente de Monitoramento e Alerta da Diretoria de Gestão de Desastres da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil. Durante a apresentação, foram discutidos os principais cenários climáticos observados no estado, as tendências para os próximos anos e a importância dos sistemas de monitoramento e alerta para minimizar os impactos causados por eventos extremos.
Na sequência, a diretora de Clima, Energia e Transição Energética da SEMAE, Mariane Murakami, conduziu a palestra “Mudanças Climáticas e Eventos Extremos: Estratégias da SEMAE para Adaptação e Mitigação”. A atividade apresentou ações desenvolvidas pelo Governo do Estado voltadas à adaptação climática e à construção de estratégias capazes de aumentar a resiliência dos territórios frente a fenômenos como enchentes, estiagens prolongadas, enxurradas e deslizamentos.
Outro momento importante da programação foi a palestra “O Papel dos Comitês de Bacias na Gestão de Riscos Hidrológicos: como os Comitês podem se preparar para os próximos eventos extremos?”, ministrada por Camila Andréa Ramos, da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e do Programa SC Águas. A apresentação destacou o papel dos comitês de bacias como instâncias fundamentais na articulação entre diferentes setores da sociedade, promovendo o planejamento e a gestão integrada dos recursos hídricos.
Segundo os conteúdos apresentados durante o curso, os comitês possuem uma função estratégica na construção de políticas e ações voltadas à prevenção de desastres, especialmente por meio dos Planos de Recursos Hídricos. Esses instrumentos de planejamento permitem identificar vulnerabilidades, estabelecer prioridades e orientar investimentos que contribuam para reduzir os impactos de eventos hidrológicos extremos sobre a população, as atividades econômicas e os ecossistemas.
Além das palestras, os participantes também realizaram uma atividade prática voltada ao Plano de Recursos Hídricos frente aos Eventos Climáticos Extremos. O exercício foi conduzido pelos assessores técnicos Fiama Letícia Reis Lima e Pedro Filipe Rey, ambos do Programa SC Águas, proporcionando um espaço para reflexão e aplicação dos conhecimentos apresentados ao longo da capacitação. A atividade permitiu que os participantes discutissem estratégias e propostas que podem ser incorporadas ao planejamento das bacias hidrográficas catarinenses.
A realização de eventos como esse demonstra a crescente necessidade de fortalecer o conhecimento técnico dos representantes que atuam nos comitês de bacias. Diante da intensificação dos eventos climáticos observados nos últimos anos, a capacitação contínua se torna uma ferramenta essencial para apoiar a tomada de decisão e a elaboração de ações que promovam maior segurança hídrica para a população.
Para o Comitê Antas e Afluentes do Peperi-guaçu, a participação de seus representantes em cursos e treinamentos representa um investimento na qualificação das instituições que compõem o colegiado. O acesso a informações atualizadas, experiências compartilhadas e debates especializados fortalece a atuação dos membros e contribui para que as organizações representadas possam desempenhar suas funções de maneira mais preparada e alinhada às demandas atuais da gestão das águas.
Ao reunir especialistas, gestores públicos e representantes dos comitês de bacias, o curso reforçou a importância da cooperação entre diferentes instituições na busca por soluções para os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Mais do que uma oportunidade de aprendizagem, a capacitação consolidou-se como um espaço de troca de experiências e construção coletiva de conhecimento, fortalecendo o papel dos comitês catarinenses na proteção dos recursos hídricos e na preparação para os eventos extremos que tendem a marcar cada vez mais a realidade ambiental do estado.


