5º Seminário da Mata Ciliar reuniu especialistas para discutir o diagnóstico territorial, experiências de recuperação ambiental e alternativas de financiamento para projetos na região.
Um diagnóstico territorial apresentado durante o 5º Seminário da Mata Ciliar do Comitê de Bacia Hidrográfica Tijucas e Biguaçu identificou que 42,6% das áreas de preservação permanente (APPs) fluviais da UPG 8.1 Tijucas estão degradadas ou ocupadas por edificações. Os resultados foram apresentados em 7 de outubro de 2026, durante evento de capacitação que pautou a discussão de estratégias para recuperar a vegetação nativa nas margens dos rios e nascentes. O evento é uma realização do Comitê Tijucas e Biguaçu e da entidade executiva, UDESC Programa SC Águas.
O levantamento, apresentado pela arquiteta e urbanista Dra. Talita Montagna (Instituto Água Conecta), identificou que 38,3% das áreas analisadas estavam degradadas e 4,3% ocupadas por edificações. O estudo utilizou imagens de satélite e ferramentas de geoprocessamento para classificar a situação da vegetação nas APPs e identificar áreas que demandam atenção. Os dados permitem visualizar a distribuição das áreas preservadas, degradadas e edificadas, contribuindo para o planejamento de ações de recuperação ambiental.
O trabalho foi desenvolvido no ciclo anterior das entidades executivas do sistema de gestão de recursos hídricos, sob coordenação do Instituto Água Conecta, como uma demanda do Pacto da Mata Ciliar do Comitê e ao Plano de Recursos Hídricos da bacia.
Recursos para recuperação
Além da apresentação do diagnóstico, o seminário discutiu experiências de recuperação de matas ciliares e possibilidades de financiamento para colocar projetos em prática. Marco Aurelio Godoy, agrônomo da Prefeitura de Chapecó, apresentou o programa Água Boa, desenvolvido no município, como referência para iniciativas de recuperação ambiental.
A programação também contou com a participação de Rafael Knabben, da Epagri, que apresentou o SC Rural 2. O programa possui uma linha de apoio à adequação ambiental, incluindo recuperação de mata ciliar, recomposição de áreas de preservação permanente e proteção de nascentes.
Segundo a apresentação, uma família pode acessar até R$ 17,5 mil nessa modalidade, sem necessidade de devolver o recurso. A contrapartida prevista é não financeira, por meio da mão de obra do próprio beneficiário. Na data do seminário, o programa estava operacional e com edital aberto para acesso aos recursos.
Articulação para viabilizar projetos na bacia
No evento, o presidente do Comitê, Danilo Funke, destacou a busca por parcerias e mecanismos de incentivo que facilitem a participação de proprietários rurais na recuperação de áreas degradadas. “Nós estamos procurando parcerias e formas de obtenção de recursos para poder executar esses projetos. Apesar do Comitê não ter atribuições executivas, nós temos como função básica fazer essas alianças, essas interlocuções com os atores principais, como os executivos municipais, com o objetivo de chegar no proprietário dos imóveis rurais”.
O seminário reuniu representantes de instituições públicas, especialistas e participantes interessados na proteção das matas ciliares. A discussão buscou aproximar o diagnóstico territorial de possibilidades concretas de recuperação da vegetação nativa.


