Comitê de Gerenciamento Bacia Hidrográfica do 

Rio Itapocu e Bacias Contíguas

Regiões norte e nordeste catarinenses concentram maior número de afogamentos em ambientes de água doce Destaque

10/02/2026

Verão, temperaturas altas e calor intenso. Em busca de lazer e de alívio para o corpo, a população procura o mar, lagoas, rios, córregos e cachoeiras. Os ambientes de água doce podem parecer mais seguros que os marinhos, mas escondem perigos que transformam momentos de descanso em situações de risco. Dados do Corpo de Bombeiros Militar catarinense apontam que a maior concentração de ocorrências em água doce, no estado, são registradas nas bacias hidrográficas do norte e nordeste de Santa Catarina.  

Um relatório técnico produzido em 2025, em parceria entre o 7o Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina e a Defesa Civil de municípios do norte e nordeste do estado, aponta uma concentração de ocorrências de afogamento fatais em Jaraguá do Sul (35,7%), Balneário Barra do Sul (14,3%) e Barra Velha (14,3%). Os dados do relatório foram coletados na pesquisa “Riscos associados a afogamentos fatais não intencionais em ambientes límnicos no estado de Santa Catarina", produzida pelo Comandante do Corpo de Bombeiros de Barra Velha (7o BBM), Capitão Rafael Manoel José. 

O estudo traz dados de afogamentos entre 2017 e 2022, e aponta que as bacias localizadas nas regiões hidrográficas 6 e 7 (Baixada norte e Vale do Itajaí) estão, historicamente, entre as bacias com maior incidência de afogamento no estado. Junto ao Rio Cubatão, o Rio Itapocu integra a Região Hidrográfica 6 de Santa Catarina e concentra o maior número de afogamentos fatais não intencionais em ambientes de água doce da região. Dos 50 casos registrados na região 6, 28 ocorreram na Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu.

Na avaliação do Comandante dos Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul (BVJS), NeilorVicenzi, que também compõe o colegiado do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu e Bacias Contíguas, os rios de Jaraguá do Sul atraem cada vez mais banhistas. “Jaraguá do Sul vem trabalhando cada vez mais a questão do cuidado com a água dos rios. E, com isso, por ser uma água cada vez mais limpa, ela acaba atraindo banhistas, principalmente em situações de final de semana e até mesmo durante a semana. Não são muitos os pontos aqui em Jaraguá que têm acesso fácil ao rio, mas existem alguns locais em que o pessoal acaba indo no fim de semana, fica na beira do rio, faz um churrasco e aproveita para tomar banho de rio. É preciso ter alguns cuidados para que esse momento de lazer aconteça sem que ocorram acidentes". 

O Comandante NeilorVicenzi alerta para os cuidados que os banhistas devem ter antes de entrar nos rios. “Mesmo quando o rio parece calmo, ele pode esconder muitos riscos. O leito muda com o tempo. As árvores caem, galhos ficam submersos, pedras se deslocam e locais que antes eram seguros podem se tornar perigosos. Por isso, é fundamental entrar sempre com cautela, observar o local e nunca pular ou fazer brincadeiras sem conhecer bem o fundo. Um erro muito comum é entrar de forma brusca na água, sem adaptação, já que a temperatura do rio costuma ser bem mais baixa que a do corpo. Esse choque térmico pode causar falta de ar, pânico e levar ao afogamento”, explica Vicenzi. 

A ausência de guarda-vidas é um dos fatores de risco para a ocorrência de afogamentos. De acordo com o Capitão do Corpo de Bombeiros de Barra Velha, Rafael Manoel José, a maioria dos afogamentos fatais não intencionais que acontecem em Santa Catarina acontecem em ambientes não assistidos pelo serviço. “Se não tem presença de guarda-vida no local, a capacidade de resposta é muito baixa. Ela é inversamente proporcional às outras variáveis, então o risco de afogamento vai ser muito maior”, afirma o Capitão. 

Em sua pesquisa, o Capitão Rafael Manoel José detalha que o risco de afogamentos resulta da combinação entre quatro fatores: ameaça, vulnerabilidade, exposição e capacidade de resposta. A ameaça está ligada às características do ambiente, como a profundidade do rio, a presença de correnteza, a possibilidade de enxurradas e a ausência do serviço de guarda-vidas. Já a vulnerabilidade considera a característica da pessoa que utiliza o ambiente, como a habilidade de nadar, o consumo de álcool e a ausência de equipamentos de segurança, como o colete salva-vidas. A exposição está relacionada ao número de pessoas utilizando o local. Quanto maior o público, maior o risco de ocorrências. Por fim, a capacidade de resposta dos serviços de salvamento pode reduzir ou aumentar o risco. 

Para o Comandante NeilorVincenzi, a orientação preventiva é uma ferramenta essencial para diminuir os riscos de afogamentos em ambientes de água doce.  “A orientação educativa é válida e muito importante, e precisa ser tratada de forma permanente. O que acontece é que, em um ano, quando se fala bastante sobre o tema por causa dos afogamentos, os índices acabam diminuindo no ano seguinte, porque as pessoas ficam mais cautelosas. Mas, quando esse assunto deixa de ser abordado por um período, os cuidados acabam sendo esquecidos e é nesse momento que os acidentes voltam a acontecer”, analisa o Comandante dos  Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul (BVJS) e membro-representante do Comitê Itapocu.

 

Orientações preventivas

1 - Evite rios e cachoeiras após chuvas: mesmo após a precipitações há o risco de ocorrer enxurradas. 

2 - Evite o consumo de álcool se for mergulhar. Esse é um fator que aumenta a vulnerabilidade e reduz a capacidade de percepção sobre riscos.

3 - Utilize equipamentos de segurança como colete salva-vidas. Para crianças o uso de boias de braço não é aconselhável. 

4 - Não faça tentativa de resgate sem preparo: Não é recomendável entrar na água para salvar alguém se não tiver treinamento especializado. Ao presenciar o afogamento de uma outra pessoa, a orientação é não entrar na água, mas sim arremessar um objeto flutuante, como uma prancha, um cooler para ajudar a pessoa a se manter na superfície. Também é fundamental ligar imediatamente para o Corpo de Bombeiros Militar pelo telefone 193. 

5 - Em caso de arrastamento pela correnteza do rio, a recomendação é manter o corpo boiando com os pés para a direção em que a água está levando o corpo, como se estivesse em um escorregador. Essa técnica pode evitar que a cabeça ou rosto sejam atingidos por elementos rochosos do corpo hídrico. 

6 - Redobre os cuidados com crianças e adolescentes. Mantenha a vigilância constante para que crianças e adolescentes não sejam expostas ao risco. 

          

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