Comitê de Gerenciamento das Bacias Hidrográfica do 

Rio Cubatão, Rio da Madre e Bacias Contíguas

Capacitação do Comitê Cubatão e Madre discute impactos dos agrotóxicos e apresenta proposta de monitoramento do Rio da Madre Destaque

20/10/2026

O Comitê de Gerenciamento das Bacias Hidrográficas dos Rios Cubatão, Madre e Bacias Contíguas promoveu, em 5 de outubro, uma capacitação sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde e no meio ambiente e as estratégias para monitorar a presença desses resíduos nos recursos hídricos. O encontro reuniu pesquisadores, representantes de instituições públicas e integrantes da sociedade civil para discutir os caminhos da contaminação, os resultados de um estudo-piloto no Rio da Madre e a proposta de monitoramento aprovada pela câmara técnica do colegiado. 

A presidente do Comitê, Morgana Ricciardi de Castilhos Eltz, abriu o evento destacando a relevância da temática para a Bacia. Para a representante-membro do IMA-SC, é necessário compreender a presença e os possíveis impactos dessas substâncias sobre os recursos hídricos. “Nós estamos acostumados a ouvir sobre a presença de agrotóxicos nos alimentos e na água, mas não temos noção do quanto esses resíduos de agrotóxicos estão presentes na água e nos alimentos e dos impactos e da dimensão disso na nossa saúde e dos ecossistemas”, afirmou. 

A realização do evento é uma iniciativa do Comitê Cubatão e Madre e da entidade executiva UDESC Programa SC Águas. Nesta edição, o curso reuniu mais de 60 participantes em transmissão simultânea. 

Impactos ambientais, desigualdades e transição agroecológica

Na primeira palestra, intitulada Impactos dos agrotóxicos na saúde e no meio ambiente: da colonialidade química à transição agroecológica, o professor da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Carlyle Menezes, explicou como os resíduos dessas substâncias podem chegar aos rios e permanecer no ambiente. Entre os caminhos apresentados estão o transporte pela chuva, o escoamento da água das lavouras e a drenagem de áreas de cultivo.

O professor também destacou que a presença dos resíduos de agrotóxicos não se restringem à água, e que é importante monitorarmos também os sedimentos. A exposição aos agrotóxicos pode afetar organismos aquáticos e outros componentes dos ecossistemas, com possíveis consequências para a saúde humana. A intensidade dos efeitos depende de fatores como o tipo de substância, a quantidade e a concentração, o tempo de contato e as condições de exposição.

O professor também abordou a dependência brasileira da importação de agrotóxicos e as desigualdades envolvidas na produção e no uso dessas substâncias. A discussão destacou a circulação de agrotóxicos proibidos em outros países e autorizados no Brasi, além de uma dinâmica em que parte dos ganhos econômicos fica com os fornecedores internacionais, enquanto os impactos ambientais e à saúde são sentidos nos territórios brasileiros. Como alternativa, Carlyle ressaltou o potencial ambiental e socioeconômico da transição agroecológica, que demanda investimentos em pesquisa, assistência técnica e extensão rural para apoiar agricultores na adoção de práticas de produção menos dependentes de agrotóxicos.

Estudo-piloto orienta proposta de monitoramento

A engenheira ambiental, Camila Marcon de Carvalho Leite, apresentou o estudo-piloto realizado em 2024 pelo Instituto Água Conecta. O estudo buscou investigar a presença de resíduos de agrotóxicos na água e apresentar uma proposta de Monitoramento dos resíduos de agrotóxicos no Rio da Madre. O trabalho surgiu de uma demanda da comunidade da bacia. 

As amostras foram coletadas em seis pontos da bacia, e apresentaram resíduos de clomazona e tiametoxam em campanhas específicas. Em uma das campanhas realizadas, não houve detecção das substâncias. Os resultados reforçaram a necessidade de realizar coletas em diferentes períodos, já que a presença desses compostos pode variar conforme as etapas do cultivo, a drenagem das lavouras e a ocorrência de chuvas.

A partir dessa experiência, foi estruturada uma proposta de monitoramento que prevê pelo menos três campanhas de coleta por safra, com atenção aos períodos de maior possibilidade de transporte dos resíduos para os rios. A Câmara Técnica Consultiva do Comitê Cubatão e Madre aprovou a proposta de monitoramento, mas sugeriu que sejam incluídas no projeto análises ecotoxicológicas e da presença dos resíduos de agrotóxicos nos sedimentos. O projeto será analisado pela Assembleia do Comitê ainda em 2026. 

 

          

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