Na manhã do dia 29 de junho, a Escola Municipal Anita Garibaldi, em Joinville, foi palco de um momento histórico para a preservação hídrica da nossa região. A 23ª Cerimônia de Certificação do Projeto Monitorando os Rios não apenas diplomou a unidade de ensino anfitriã, mas celebrou uma marca inédita: com esta etapa, todas as escolas municipais localizadas na Bacia Hidrográfica do Rio Cachoeira passam a ser contempladas pela iniciativa.

O evento, realizado às 10h, reuniu estudantes, educadores e instituições apoiadoras para celebrar os resultados alcançados e o engajamento das escolas nas ações de monitoramento e conscientização. Mais do que a entrega de um certificado, a conquista reforça o compromisso coletivo com os nossos recursos hídricos e fortalece o protagonismo da comunidade escolar na proteção dos rios.
Alinhada diretamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a ação demonstra a força do trabalho em rede. A cerimônia foi uma realização da Univille e do Projeto Monitorando os Rios, com financiamento da Döhler. O Comitê Babitonga (CHBB) e a Prefeitura de Joinville atuam como apoiadores fundamentais desta iniciativa que transforma o futuro das nossas bacias hidrográficas por meio da educação.

Para entender como a educação ambiental pode transformar a relação das novas gerações com os recursos hídricos,confira a entrevista com a responsável técnica pelo Projeto Monitorando os Rios, a bióloga Izabel da Silva Liberto Speckhahn. Izabel é especialista em educação ambiental e mestranda em Saúde e Meio Ambiente. A pesquisadora atua há 15 anos na área e, há oito anos, desenvolve o Projeto Monitorando os Rios. Ao longo de sua trajetória, tem se dedicado a aproximar a ciência das comunidades, promovendo processos contínuos de sensibilização, mobilização social e formação de novos agentes ambientais. Leia a entrevista:

Quais atividades os estudantes desenvolvem ao longo do projeto?
O diferencial do nosso projeto já começa com o fato de ele ser imersivo. A maioria das ações de educação ambiental são pontuais. Então quando estruturamos o projeto pensamos em proporcionar um processo mais imersivo, com troca de conhecimento, para que a aprendizagem fosse mais significativa. Hoje nós trabalhamos com seis encontros de uma hora e meia cada um e nesses encontros as atividades sempre são muito lúdicas e didáticas. Nós também fazemos palestras interativas, utilizando jogos, criação de material gráfico. Destaco que o mais significativo ocorre no terceiro encontro onde nós fazemos um monitoramento de qualidade da água do rio mais próximo à escola. Levamos um laboratório até a sala de aula e as crianças participam ativamente da análise. Todas as atividades desta ação são didáticas e interativas e buscam agregar transformação nos hábitos cotidianos dos participantes e da comunidade ao redor.
Quais foram as principais transformações que você observou nos alunos desde o início da participação no projeto?
As principais transformações que a gente observou foram a mudança de comportamento e a mudança de pensamento sobre as questões ambientais. Quando iniciam no projeto é comum que muitos desconheçam questões ambientais e não compreendam a importância do rio que está ali perto da casa deles. A partir das formações oferecidas no projeto eles passam a observar a natureza de maneira diferente e a observar essa urgência pela preservação dos recursos naturais. Muitos alunos trazem relatos de mudança de postura no cotidiano, eles já comentaram que passaram a corrigir comportamentos das pessoas ao redor, como quando jogam lixo no chão. Em casa eles impulsionam as famílias a fazer a separação dos resíduos, a realizar a manutenção de vazamentos para evitar o desperdício de água. Na escola eles cobram ações dos gestores escolares.As crianças se tornam um vetor de transformação do ambiente.

De que forma o contato com os rios desperta um olhar diferente sobre o meio ambiente?
O contato com os rios faz eles olharem para o ambiente ao redor. Muitas vezes nos livros didáticos as notícias falam de rios que estão longe, como o Rio Tietê, em São Paulo. Mas o nosso projeto faz eles olharem para o que está próximo, com possibilidade de agir localmente, pensando globalmente. Nós realizamos visitas em vários rios que estão poluídos, mas a gente também observa a presença de vida animal, ressaltando também um lado positivo de ter promover esse contato com a natureza. Eles começam a observar que há outros seres que dependem daquele rio e passam a observá-lo de forma diferente, com mais pertencimento
Qual é a importância de trabalhar a temática dos recursos hídricos ainda na educação básica?
A importância de trabalhar a temática dos recursos hídricos e dos recursos naturais na educação básica é essencial porque eles são o futuro. Eles serão os futuros empresários, os futuros governantes e os futuros cidadãos votantes, por exemplo. O projeto cultiva nas crianças um senso de responsabilidade, para que eles possam compreender que nós seres humanos precisamos fazer a nossa parte para a preservação da nossa espécie e de todas as outras que habitam esse planeta. Nós acreditamos que é muito mais produtivo moldar e ensinar a mente de uma criança que ainda está em processo de formação. Por isso a educação ambiental com essa idade é tão importante e por isso que ela é o foco do nosso projeto.
Assessoria de Comunicação dos Comitês de Bacia da Vertente Litoral de SC
Priscila Oliveira


