Discutir os impactos das mudanças climáticas e fortalecer a atuação dos comitês de bacias hidrográficas diante de eventos extremos foi o principal objetivo do curso “Atuação dos Comitês de Bacia Frente aos Eventos Hidrológicos Extremos”, promovido pelo Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Canoinhas e Afluentes Catarinenses do Rio Negro (Comitê Canoinhas e Afluentes do Negro), em parceria com o Comitê Timbó e o Programa SC Águas (ProfÁgua/UDESC).
Realizado de forma virtual no dia 15 de setembro, das 13h30 às 18h00, o evento reuniu 115 participantes, entre representantes de comitês de bacias hidrográficas, órgãos públicos, instituições de ensino, usuários de recursos hídricos e membros da sociedade civil de diferentes regiões do país. A iniciativa contou com apoio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde de Santa Catarina (SEMAE).
O curso evidenciou o protagonismo do Comitê Canoinhas e Afluentes do Negro na promoção do debate sobre adaptação climática, gestão de riscos e segurança hídrica, temas que vêm ocupando posição estratégica na agenda dos organismos de gestão das águas. Além de contribuir para a disseminação de informações técnicas e científicas, a capacitação proporcionou um espaço de diálogo entre especialistas e representantes dos comitês, fortalecendo a troca de experiências e a construção de soluções para desafios comuns.
Participaram do evento diversos representantes do Comitê Canoinhas e Afluentes do Negro, entre eles o vice-presidente Maicon André Vieira da Silva, da Casan; Caroline Stein e Claudia Drzeviecki, da Prefeitura de Canoinhas; Thiane Maria Hack Raulino, do SAMAE de São Bento do Sul; Elisangela de Lima, do CODEPLAN/SC; Moacir Penkal, da Associação Empresarial de Canoinhas (ACIC); Bruna MadeyDalarosa e EdioneRebonatto, da Cooperalfa; José Roberto de Souza, da Mili; Andressa Mott e Silon Flores de Souza Junior, do Consórcio Quiriri; Bruno da Silva Ericksson e Natália Golin, do IMA; Filipe Gonçalves da Silva, da Prefeitura de Campo Alegre; Jackeline Nizer, da Prefeitura de Mafra; Maritza Martins Mansani, da Cidasc; Eduardo Neves Vieira, da Epagri; Mônica Andréa Mendes, secretária-executiva do Comitê e representante do SINPESC; e Francine da Silva Rauen, da Cia Canoinhas de Papel.
A programação iniciou com a palestra “Cenário Climático Atual e Tendências para Santa Catarina e o Sistema Integrado de Gestão de Desastres do Estado”, ministrada por Frederico de Moraes Rudorff, gerente de Monitoramento e Alerta da Diretoria de Gestão de Desastres da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil. A apresentação destacou os cenários climáticos observados e projetados para o Estado, bem como os mecanismos de monitoramento e resposta utilizados na gestão de desastres.
Na sequência, Mariane Hatsuno Murakami, diretora de Clima, Energia e Transição Energética da SEMAE, apresentou a palestra “Mudanças Climáticas e Eventos Extremos: Estratégias da SEMAE para Adaptação e Mitigação”, abordando ações e políticas públicas voltadas ao enfrentamento dos impactos climáticos.
Já a palestra “O Papel dos Comitês de Bacias na Gestão de Riscos Hidrológicos: como os Comitês podem se preparar para os próximos eventos extremos?”, ministrada por Camila Andréa Ramos, da UDESC e do Programa SC Águas, trouxe reflexões sobre a importância da atuação preventiva dos comitês e da integração entre os instrumentos de gestão de recursos hídricos e as políticas de proteção e defesa civil.
A programação foi encerrada com a oficina temática “O Plano de Recursos Hídricos frente aos Eventos Climáticos Extremos”, conduzida pelos assessores técnicos Fiama Letícia Reis Lima e Pedro Filipe Rey, que apresentaram aos participantes como o Plano de Recursos Hídricos da bacia do Rio Canoinhas contempla aspectos relacionados aos eventos hidrológicos extremos.
Entre os principais resultados do curso destacou-se o compartilhamento de experiências entre representantes de diferentes regiões do Brasil, permitindo a construção de uma visão mais ampla sobre os impactos de fenômenos climáticos, como o El Niño, nas bacias hidrográficas. As discussões também reforçaram a necessidade de incorporar projeções climáticas e dados atualizados aos processos de planejamento, ampliando a capacidade dos comitês de antecipar cenários de risco.
Outro ponto de destaque foi o fortalecimento da governança preventiva, evidenciando a importância de integrar os Planos de Recursos Hídricos às estratégias de proteção e defesa civil. As atividades demonstraram ainda que o enfrentamento dos eventos extremos depende do engajamento dos municípios, das instituições e da sociedade, por meio de processos participativos capazes de acelerar a implementação de ações prioritárias nas bacias hidrográficas.
De acordo com o Sr. Maicon André Vieira da Silva, vice-presidente do Comitê Canoinhas e Afluentes do Negro, relata que: “o curso é muito importante porque possibilita ampliar o conhecimento e preparar o Comitê e as instituições que atuam na bacia para enfrentar eventos hidrológicos extremos, que têm se tornado cada vez mais relevantes para o planejamento e a gestão dos recursos hídricos. A troca de experiências entre diferentes regiões e a discussão com profissionais que atuam diretamente com clima, recursos hídricos e gestão de desastres nos ajudam a compreender melhor os riscos e, principalmente, a pensar em ações preventivas. Para a sociedade, esse conhecimento também é fundamental, porque uma gestão mais preparada e integrada contribui para aumentar a segurança hídrica e reduzir os impactos de situações como cheias e estiagens. O Comitê tem justamente esse papel de promover o diálogo, reunir diferentes setores e transformar conhecimento em ações que contribuam para a resiliência da nossa bacia”.
Ainda, o Vice-presidente destaca sobre a participação dos representantes das organizações-membro do Comitê Canoinhas e Afluentes do Negro: “A participação das instituições é fundamental porque cada uma possui uma realidade, uma experiência e uma contribuição diferente para a gestão dos recursos hídricos. Quando temos representantes do poder público, empresas, usuários de água, instituições de ensino, órgãos ambientais e sociedade civil discutindo conjuntamente, conseguimos ter uma visão muito mais ampla dos desafios da bacia. Os eventos extremos não são um problema que possa ser enfrentado isoladamente. É necessário planejamento, troca de informações,


