Com a temática “Brasil também está em falência hídrica? Qual é a situação do país?”, o evento, que ocorreu em 25 de fevereiro, promoveu discussões sobre a crise hídrica e o uso das águas subterrâneas. O geólogo e representante-membro do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Araranguá e Afluentes Catarinenses do Rio Mampituba, Sérgio Cardoso ministrou palestra na atividade. A presidente do Comitê, Profa. Eliandra Gomes Marques também participou do evento.
A atividade organizada pela Frente Ampla Democrática Socioambiental (FADS), teve como mote o novo relatório do Instituto das Nações Unidas para Água, Meio Ambiente e Saúde (UNU-INWEH). O documento afirma que o planeta entrou em uma nova fase, descrita como falência global da água. O conceito refere-se a um estado crônico e persistente onde o uso da água ultrapassa, por longos períodos, a capacidade de reposição natural dos sistemas hidrológicos.
Em sua participação, o coordenador do Núcleo de Estudo de Águas Subterrâneas (RS-NEAS) e representante no Comitê Araranguá e Afluentes do Mampituba, Sérgio Cardoso, destacou que a falência hídrica, em escala global, está diretamente ligada a crises políticas, sociais e de governança das águas. “Nós temos uma falência hídrica, uma falência social, uma falência de governança, uma falência política, no país e no mundo. O uso da água subterrânea ainda acontece de maneira desregrada. Os instrumentos da política pública que deveriam funcionar não estão funcionando. Eles não funcionam porque existe um propósito: não ter controle sobre o uso da água subterrânea, enquanto as águas superficiais já estão, praticamente, todas poluídas”, afirmou o geólogo.
Sérgio Cardoso também apontou a importância de promover um debate qualificado sobre o uso das águas subterrâneas no Brasil. Para o especialista é preciso pensar de forma integrada: “Os rios dependem das águas subterrâneas, e as águas subterrâneas dependem dos rios. É um sistema único, integrado. Quando começarmos a tirar água subterrânea, vai faltar água nos rios, e vice-versa. Essa lógica precisa estar no centro da política pública”.
O palestrante alertou para os custos da não implementação de políticas públicas integradas de águas superficiais e subterrâneas. “Qual é o custo de, possivelmente, não conseguir recuperar um aquífero? O Rio Grande do Sul viveu isso em 2024. Qual foi o custo de não ter implantado a política pública de água superficial e subterrânea? Não teria sido mais barato implementar antes? Não implantou, e hoje a população paga o preço”, afirmou Sérgio, que é ex-conselheiro do Conselho Nacional de Recursos Hídricos do Rio Grande do Sul, ex-presidente do Comitê de Bacia do Gravataí-RS e ex-presidente da Associação Profissional Sul-brasileira de Geólogos - APSG.
O evento também contou com contribuições de outros especialistas, como o secretário executivo do Observatório da Governança das Águas , Ângelo Lima, o coordenador técnico do Projeto MapBiomas Água, Juliano Schirmbeck e a Promotora de Justiça Regional Ambiental do Ministério Público da Bahia, Luciana Khoury. Assista aqui a atividade completa aqui.


