Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do 

Rio Jacutinga e Bacias Contíguas

Falência Global da Água: o alerta da ONU e os desafios da Bacia do Rio Jacutinga Destaque

04/02/2026

O mundo entrou em uma nova era marcada por limites cada vez mais evidentes na disponibilidade de água. Essa é a principal mensagem do relatório “Falência Global da Água: Vivendo Além de Nossos Recursos Hídricos na Era Pós-Crise”, publicado em 2026 pelo Instituto da Universidade das Nações Unidas para Água, Meio Ambiente e Saúde (UNU-INWEH). O documento apresenta um alerta contundente: em muitas regiões do planeta, a humanidade já utiliza a água além da capacidade de renovação dos sistemas hidrológicos, configurando um cenário que vai além de crises pontuais e se aproxima de um estado estrutural de falência.

O diagnóstico global de falência hídrica apresentado pela ONU não se aplica, neste momento, de forma direta à Bacia Hidrográfica do Rio Jacutinga. Ainda assim, a região já vivencia crises hídricas recorrentes, caracterizadas por episódios de estiagem, restrições temporárias no abastecimento e aumento das pressões sobre os usos da água. Esse contexto evidencia uma situação de vulnerabilidade que, embora não configure um estado estrutural de falência dos sistemas hídricos locais, reforça a necessidade de planejamento, gestão integrada e ações preventivas para evitar o agravamento do quadro no futuro.

 

O que é a “Falência Global da Água”?

O relatório da ONU introduz o conceito de falência hídrica global para descrever uma condição em que o uso contínuo da água supera, de forma crônica, os limites seguros de disponibilidade e regeneração dos sistemas naturais. Diferentemente de uma crise hídrica temporária — geralmente associada a eventos climáticos extremos — a falência hídrica caracteriza-se por danos acumulados e, muitas vezes, irreversíveis, como a degradação de aquíferos, a perda de ecossistemas aquáticos e a redução permanente da capacidade de oferta de água.

Segundo o estudo, episódios conhecidos como “Day Zero”, quando cidades se aproximam do colapso no abastecimento, não devem ser vistos como eventos isolados, mas como sintomas de sistemas hídricos que operam além de seus limites. Mesmo quando o colapso total é evitado, persistem racionamentos ocultos, fornecimento intermitente e desigualdades no acesso à água.

 

A realidade da Bacia do Rio Jacutinga

Na Bacia do Rio Jacutinga e bacias contíguas, os conceitos apresentados no relatório global encontram reflexo concreto na história recente. A estiagem severa de 2019–2020 marcou profundamente a região, levando diversos municípios a decretarem situação de emergência. Naquele período, a redução drástica das vazões comprometeu o abastecimento urbano e rural, exigindo o uso intensivo de caminhões-pipa para atender comunidades e propriedades rurais, especialmente para o consumo humano e a dessedentação animal.

Esse episódio evidenciou a vulnerabilidade hídrica da bacia e expôs um fenômeno cada vez mais presente: o risco hidrológico duplo. De um lado, a escassez quantitativa associada às secas prolongadas; de outro, a escassez operacional provocada por eventos extremos de chuva, que elevam a turbidez dos rios e dificultam ou inviabilizam temporariamente a captação e o tratamento da água. Ambos os cenários afetam diretamente a segurança hídrica da população.

A Bacia do Rio Jacutinga apresenta uma economia fortemente baseada na agropecuária e na agroindústria, com destaque para a suinocultura e avicultura intensivas, além do abastecimento público urbano e de atividades industriais. Esses usos múltiplos exercem pressão tanto sobre a quantidade quanto sobre a qualidade da água, exigindo uma gestão cada vez mais integrada e preventiva.

 

Governança da água como resposta preventiva

Diante desse cenário, o relatório da ONU destaca que não é mais suficiente buscar soluções que tentem simplesmente restaurar condições passadas. O enfrentamento da falência hídrica exige transformações estruturais na forma como a água é planejada, utilizada e governada.

Nesse contexto, o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Jacutinga desempenha papel estratégico como espaço de governança participativa. Ao reunir representantes do poder público, usuários da água e sociedade civil, o Comitê atua na pactuação de soluções, na elaboração e atualização do Plano de Bacia, na promoção de ações de educação ambiental e na articulação de respostas a eventos críticos.

A experiência acumulada na gestão de crises hídricas, aliada ao planejamento de longo prazo, posiciona o Comitê como instância fundamental para antecipar riscos, reduzir vulnerabilidades e promover o uso sustentável da água na região.

 

Um alerta global, um compromisso local

O alerta global da ONU reforça a necessidade de ações locais concretas. Entre os caminhos possíveis para fortalecer a segurança hídrica na Bacia do Rio Jacutinga estão o planejamento integrado dos usos da água, a proteção de nascentes e matas ciliares, o uso racional e eficiente da água nos setores produtivos, o fortalecimento do saneamento básico e a ampliação da participação social na gestão dos recursos hídricos.

Mais do que enfrentar crises quando elas ocorrem, o desafio está em construir resiliência, reconhecendo os limites dos sistemas naturais e ajustando o desenvolvimento regional a esses limites.

A “Falência Global da Água”, conforme apresentada pela ONU, não é um conceito distante da realidade local. Ela se manifesta, em diferentes escalas, nas bacias hidrográficas que enfrentam escassez, eventos extremos e pressões crescentes sobre os recursos hídricos. Na Bacia do Rio Jacutinga, a experiência recente demonstra que a água deve ser tratada como eixo central do desenvolvimento regional.

O Comitê Jacutinga reafirma, assim, seu compromisso com a gestão participativa, sustentável e preventiva da água, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, em especial ao ODS 6 – Água Potável e Saneamento. Cuidar da água hoje é garantir qualidade de vida, desenvolvimento e segurança para as atuais e futuras gerações.

          

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