As mudanças climáticas, a gestão dos recursos hídricos, a economia circular e a descarbonização estiveram no centro do debate promovido pelo programa No Campo das Ideias, da Rádio Catarinense, realizado no dia 18 de julho. O encontro reuniu Edson Fernando Spier, vice-presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe e Bacias Contíguas; Rodrigo Pedrini, ex-gerente regional do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA); Felipe Dall'Orsoletta, especialista do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA); e Wagner Debastiani, empresário da área de sustentabilidade.
Ao longo da conversa, os participantes reforçaram que os impactos das mudanças climáticas já fazem parte da realidade e que o enfrentamento desse cenário depende de planejamento, ciência, políticas públicas e participação da sociedade.
Plano da Bacia fortalece a gestão das águas
O vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe, Edson Fernando Spier, destacou que a região vive um momento decisivo com a elaboração do Plano de Recursos Hídricos da Bacia, considerado o principal instrumento de planejamento para a gestão das águas. Segundo ele, a iniciativa representa uma conquista aguardada há muitos anos e permitirá orientar investimentos e ações voltadas à conservação dos recursos hídricos.
"A elaboração do plano de recursos hídricos é um passo histórico para a nossa região e permitirá planejar o futuro com base em informações técnicas e na participação da sociedade."
Spier também apresentou dados atualizados sobre a bacia, que abrange aproximadamente 5.246 km², engloba 28 municípios e atende cerca de 370 mil habitantes.
Ao final do programa, reforçou a missão do Comitê de garantir segurança hídrica para as próximas gerações.
"O que buscamos é assegurar água em quantidade e qualidade para o abastecimento humano, para a produção, para a indústria e para todos os usos da água."
Educação ambiental é caminho para transformar a sociedade
Durante o debate, o ex-gerente regional do IMA, Rodrigo Pedrini, enfatizou que muitas soluções para os problemas ambientais passam pela mudança de comportamento da população.
Segundo ele, apesar dos avanços na legislação e das boas práticas desenvolvidas na região, ainda é necessário fortalecer a educação ambiental e ampliar a participação da sociedade. Rodrigo citou iniciativas locais como o aproveitamento de dejetos da suinocultura para produção de biogás e biofertilizantes, além dos projetos de revitalização de rios urbanos.
"Nossas cidades nasceram próximas aos rios, mas cresceram de costas para eles. Precisamos voltar a olhar para os nossos rios como patrimônio ambiental e espaço de convivência."
Economia circular pode gerar empregos e reduzir impactos ambientais
O especialista do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Felipe Dall'Orsoletta, apresentou exemplos internacionais de gestão de resíduos e explicou como a economia circular pode transformar problemas ambientais em oportunidades de desenvolvimento.
Segundo ele, diversos países conseguiram reduzir significativamente a quantidade de resíduos destinados aos aterros sanitários por meio de planejamento, inovação tecnológica e conscientização da população.
"Quando enviamos materiais recicláveis para o aterro sanitário, estamos enterrando oportunidades de geração de emprego, renda e desenvolvimento."
Dall'Orsoletta destacou experiências bem-sucedidas da Coreia do Sul, Alemanha, Áustria e Japão, onde a separação de resíduos faz parte da cultura da população.
Ele também chamou atenção para a necessidade de reduzir o consumo excessivo.
"As energias renováveis estão crescendo rapidamente, mas o consumo cresce ainda mais. A crise climática não é apenas um problema de produção de energia; ela também é consequência dos nossos padrões de consumo."
Descarbonização é desafio e oportunidade
O engenheiro ambiental Wagner Debastiani explicou que a redução das emissões de gases de efeito estufa depende da combinação entre inovação tecnológica, mudanças na matriz energética e valorização dos ativos ambientais.
Durante sua participação, destacou que o Brasil possui uma posição privilegiada em razão da elevada participação de fontes renováveis em sua matriz elétrica e do potencial para projetos de crédito de carbono.
"Existem tecnologias para reduzir emissões, produzir energia limpa e capturar carbono. O grande desafio ainda é tornar essas soluções economicamente mais competitivas."
Debastiani também explicou como funcionam os créditos de carbono e ressaltou que a manutenção das florestas e a adoção de tecnologias limpas representam oportunidades de desenvolvimento sustentável.
Ciência, planejamento e participação
Ao longo de todo o debate, os convidados reforçaram que os efeitos das mudanças climáticas exigem respostas cada vez mais rápidas dos governos, das instituições e da sociedade.
A elaboração do Plano de Recursos Hídricos da Bacia do Rio do Peixe, associada ao fortalecimento da educação ambiental, da economia circular e das políticas de descarbonização, foi apontada como um dos caminhos para aumentar a resiliência da região frente aos desafios ambientais.
Ao reunir representantes da gestão pública, da pesquisa, de organismos internacionais e do Comitê de Bacia, o programa evidenciou que a construção de soluções depende da integração entre conhecimento técnico, planejamento e participação social — elementos essenciais para garantir a preservação dos recursos naturais e a qualidade de vida das atuais e futuras gerações.
Nota: Matéria elaborada em 30/07/2026 e publicada após o período do defeso eleitoral